

Preciso confessar: como eu queria estar aqui escrevendo um texto diferente. Mas infelizmente não posso, existem textos que não escrevemos porque queremos escrever, escrevemos porque precisam ser escritos. Aqui eu preciso falar da história de Roberta Baêta. Talvez você tenha visto algo a respeito no Facebook, talvez não. Resumindo o que aconteceu, essa jovem de 17 anos cometeu suicídio no final do ano passado e isso seria apenas mais um caso lamentável se não fosse por um detalhe: ela fez isso por não suportar a pressão psicológica que passou a receber da família, dos conhecidos e amigos após revelar que era atéia. Por mais surreal que isso possa parecer.
Um dos exemplos do tipo de coisa que ela passou está na imagem que ilustra esse post, logo acima. Imagine o que é você ser tratado como uma aberração pelos seus próprios pais, sofrendo ameaças diariamente e agressões verbais de todos os tipos. Imagine que o mesmo tipo de coisa acontece quando você vai para a escola, quando sai com os amigos, que isso te persegue onde quer que você vá. Não estou dizendo que o suicídio é a única saída e nem que qualquer pessoa faria o mesmo em uma situação dessas, mas vamos concordar que dá para entender como o desespero, a depressão e o isolamento social contribuíram para tornar a vida de Roberta tão insuportável que ela decidiu que não aguentaria mais um dia passando por tudo isso.
A situação foi tão absurda que na página oficial da Tvlafaiete, uma rede do estado de Minas Gerais, apareceu uma postagem sobre o evento afirmando que tudo ocorreu por causa das “ideias passadas pela internet por pessoas que se dizem “ateus” e que dedicam seu tempo a tentarem desconstruir Deus, Jesus Cristo e outros divindades que nos são caras”. Certo, então agora os ateus nas redes sociais são responsáveis por suicídios e não as pessoas que tornaram a vida dela um caos? Mas espere, tem mais: “e além disso pregam a desesperança, a falta de fé e até mesmo o culto ao mal”. Lindo não é? Como esperado eles já apagaram a postagem original, mas não é difícil encontrar pelo Facebook screenshots do texto publicado na página. São afirmações tão preconceituosas, tão absurdas, tão pueris que me recuso a acreditar que alguém pode falar algo assim em sã consciência.
É impossível não parafrasear Christopher Hitchens: “pessoas boas fazem coisas boas, pessoas más fazem coisas más; mas para uma boa pessoa fazer uma coisa má é preciso a religião”. É certo que a religião não é a única origem desse tipo de comportamento, mas é sem dúvida a fonte mais comum. Para uma pessoa que é essencialmente boa cometer um ato vil ela precisa estar enganada a respeito dos princípios básicos que norteiam o seu comportamento. Precisa acreditar de todo o coração que o que está fazendo é justificado, que é uma atitude correta. Um engano tão grande em ideias tão fundamentais precisa vir de algo que a pessoa se recusa a analisar, que está acima de qualquer crítica, algo que foi acostumada a acreditar desde pequena. Quantas coisas além da religião tem esse privilégio?
Mas talvez isso seja um pouco de ingenuidade de minha parte. Acho que no fundo eu não quero acreditar que as pessoas são realmente capazes de cometer atos tão desprezíveis conscientemente. Talvez seja uma forma de manter certa esperança na humanidade: acreditar que as pessoas estão cegas, que cresceram em um ambiente que influenciou-as de tal forma que já não são capazes de analisar de forma crítica aquilo que dizem ou fazem. Ainda assim, eu quero gritar para o mundo! Queria olhar nos olhos de cada pessoa que ofendeu, tratou mal ou agrediu Roberta e dizer: “você contribuiu para isso”. Não posso chamá-los de assassinos, porque não o são, mas são cúmplices. São parte do grupo que continua propagando o há de pior no ser humano: o preconceito, o egoísmo e a ilusão de superioridade.
Mas o problema é que Roberta não é a primeira e nem será a última vítima desse tipo de coisa. Ela se tornou o mártir do momento, é verdade, mas existem centenas de jovens, adultos e idosos em todo o país que passam por algo parecido. Indivíduos anônimos, que não tem páginas de Facebook ou cobertura da imprensa. Que podem não ter amigos para divulgar sua luta diária e a sua dor. Roberta já se foi e por ela ninguém pode fazer mais nada. Mas podemos fazer algo por todas as pessoas que ainda vivem e que são alvo de preconceito. Desde que toda essa comoção não pare apenas por aqui nas redes sociais. Não falo da criação de leis contra o preconceito ou nada assim, falo de atitudes simples que a longo prazo podem mudar a forma que as pessoas pensam,
Se você é ateu, converse com seus familiares, amigos e conhecidos quando esse tipo de discussão aparecer. Explique por que você pensa assim e por que isso não muda em nada o seu caráter. Não fique criando briguinhas desnecessárias pelo Facebook ou fazendo comentários desagradáveis em cada post religioso que você vê, isso não ajuda em nada. Eu entendo a sua revolta, especialmente por causa de eventos como esse, mas não é assim que você conseguirá desfazer a imagem distorcida e estereotipada dos ateus. Se você é um religioso, mas tem o mínimo de bom senso, não deixe que outros religiosos propaguem ideias erradas a respeito do ateísmo. Converse com eles, porque certamente eles estarão mais dispostos a ouvir a sua opinião do que a opinião dos ateus que eles desprezam tanto.
Basta isso. Não é pedir muito, certo? Se todos fizerem a sua parte, talvez não amanhã, mas com o tempo poderemos mudar a visão da sociedade. Quem sabe assim conseguimos evitar que eventos tão tristes como esse aconteçam novamente.

Retirado do http://facebook.com/pastoraprontandoperipecias
Olá :)
Bom,os que tenho para recomendar são:
ProfessorAteu
Acho que só esses ^^
Bom dia e tenha uma boa sexta-feira e fim de semana :)
(Planeta Ateu agora tem uma pagina no facebook,curta clicando aqui )

(Source: keep-my-mind-busy)
